Mostrando postagens com marcador Brinquedo Mestiço. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brinquedo Mestiço. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de julho de 2019

Intrépida

Roga pois a experiência. Carne posta à mesa, banquete viril. Nem os vegetais se adequariam, secura mórbida em pratos esparsos.
Vide pois o reino dos homens. Às mulheres, os louros e pérolas. Uvas que decaem sobre engalfinhadas garras das sedentas vontades. Jovialidade, reinserção posta ao amargo contragosto

- Vá, apanha-me morangos e os coloque à serventia daqueles vassalos! - exclamou o príncipe.
- Ordens a quem se dedica, vossa alteza - Intrépida cerra-lhe os punhos
- Àqueles que lhes acometer - balbucia o príncipe - Não sois tu que a todos rogam clamor?
- Sou apenas a que rege, à revelia - responde a mulher, em tom neutro.
- E não buscas nada, fidalga? - com entonação provocativa o príncipe a encara - vives à margem da revelia?
- A revelia é a calma, aglutino conhecimentos como amantes, mangas como figos e tratos como escolhas - encerrou.
- Não sejas por isso - aclamou o príncipe - Ergam as taças! - no gesto clássico de quem brinda - À mulher de vestes leves!

Pós devida repetição, intrepidamente fitou-lhe os olhos, em agradecimento não-servil. Olhos cúmplices, bocas meladas.
Não para menos, tamanha gordura no ambiente. Findou-se o banquete à norma do palácio, cerrou-se a realeza seus aposentos. A mulher se iria então ao encontro de seus amantes em sonhos. Compreendendo-se incompreendida, atirou-se de vestes e tudo ao que seria a masmorra para uns. Lugar comum para ela. Lá, na masmorra se encontra e dela seus desejos se colocam à prova de tudo, pouco se importando com o julgo, mexendo-se conforme a música; os sons da noite.

Em seu aposento, fita-lhe o príncipe, estático. A bradar e retomar grandes gestos, não garantia a atenção de sua querida. Lhe recolocava à cabeça, não obstante pois todas as amantes do reino, a que lhe acometeria os elementos era indomável. Aceitar a beleza do que é, compartir os augúrios da monarquia com a infusão da vida. Intrépida. Lhe restava o sabor do travesseiro e clarear do dia. Sábio homem, esperava sem esperar e vivia a morrer.

Sábia mulher, que fez de seu ventre o universo e de seu coração morada. Regia porque podia. Fez do tabelião seu escravo e do escravo seu amante. Romarias mal-vindas lhe passavam enquanto tecia seu leque sob a cruz. Havia de tocar-lhe a espada. Acerta bainha, mexe a cadeira. Acena a quem lhe acena. Observa a quem lhe observa. Queima a quem lhe umedece. Agracia a quem dedica. 

Justa.

Amanhece no reino. O príncipe acredita ser o primeiro a cumprimentar o sol. Olha abaixo, no estábulo, ela entrelaça cordas em trouxas e prepara a sela de longa trilha. "Viajará", concluiu o monarca. Brotava-lhe à memória suas andanças e empreitadas. A cabeça de alguns cavaleiros lhe remontavam à memória, aventura que lhe cerne. Seu reino continua, amanhecendo mais uma vez, sob sua batuta, reconhecendo-se não como o mais honrado, mas o que seus entes precisam. Cresce com a cidade e à ela dedica sua existência temporária. Segue em direção à amada:

- Tens tudo que precisa? - indaga-lhe calmamente o homem.
- Sim.
- Faças então, bom proveito. Apenas não desfaleça. - conclui o príncipe.
- Nem tu. Cuide de meu jardim - sorriu-lhe brevemente, intrépida.

E ambos cumprimentariam o sol nascente.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A menina que dorme (e ama)

Provavelmente esta não é a primeira vez que você se depara com esta frase: Ela dorme. Muito. Talvez você viva sob a acunha desta frase, conjugando-a em primeira pessoa.

Pode ser que você já tenha se identificado com esta frase um dia.

Contudo, de todos os seres que dormem, tão únicos quanto seus sonhos ou perambuladas em REM, monte à imaginação o ser/estar angelical de quem amas.

Ela vive. A rotina que desmonta, a rotina que disciplina, a rotina que ensina, que restringe e que liberta. Dia após dia, tramando por si os planos de conquista, de virada, de passagem. Bem tem uns 3 ou 4 dias, que no meio da madrugada, ela se esquivou de um ninja, plantou um limoeiro, viajou a Bangladesh e ainda leu um poema nas ruas de Florença.

Numa outra noite dessas se transformara no pernilongo que lhe incomodava, e na melhor genialidade de “feitiço contra o feiticeiro”, zumbiu por 40 minutos na cabeça do mosquito, e este, de tédio morrera.

Vez ou outra, remonta amizades, revisita amores, reconstrói diálogos, revive momentos. Vez ou outra o que era par ser sonho, é real. De vez em quando, o que era para ser real era sonho.

Ao raiar de umas 3 horas da tarde qualquer, beijara seu amado, abraçara a mãe, cantava com os amigos, encenava com o rei. Beijara uma amiga, brindava com o primo e ensinara o passinho do romano à avó.

Brincava que era uma deputada, soltava uma pipa, dançava com um sorriso que encantava dos mais tolos às mais convictas. Cantava com a tonalidade angelical de quem conviveu com os bardos em alguma realidade alternativa.

O que é vida, o que é sonho, apenas você pode dizer.

No caso da menina que dorme, o que posso lhe confidenciar é que com ela, às vezes, a vida parece um sonho. E que sonhar é viver.


Ela dorme, levanta, come, conversa, ri, faz rir, conta, estuda, trabalha, come mais um pouco, vota, discute, expõe, ensina, aprende e no meio disso tudo, ela ama como se não houvesse outra fonte de amor no mundo. Sem escusas, sem malícias, sem dúvidas... ela ama tanto que de tanto amar ela dorme. E de tanto dormir, ela ama.

Tanto é que por vezes há indefinição, se ela dorme porque ama, ou se ama porque dorme. De certo, ela ama dormir.

Do início ao fim, do título ao ponto final, madrinha da partícula de inspiração que colore estas linhas de ausência de cor, fica a alcunha que lhe coube - a menina que ama (e dorme).

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Noturna


Uma noite regular em Gotham, tão sombria quanto comum. Na penumbra do hall da casa do prefeito da cidade, uma felina se encontra a olhar charmosamente o cômodo do canto superior, no alto de um móvel velho e empoeirado.

“Hum, essa posição, essa iluminação me faz sentir como um... morcego!” – Selina Kyle se diverte em seus pensamentos.

Havia passado a primeira horda de seguranças da residência oficial da cidade com facilidade. Adentrar a mansão não foi tarefa das mais exigentes. Agora se encontra a caminhar suavemente sobre o tapete que leva ao home office do chefe político da cidade.

Dois seguranças armados, um a caminhar lentamente à sua frente, de costas e o outro que não consegue notar sua presença, uma vez que sutilmente abaixou-se e usou o corpo do primeiro para esconder-se, ardilosa como o mais terrível dos bichanos.

Com a adrenalina passando por sua corrente sanguínea e fundindo-se com seu collant preto, por entre a máscara seus olhos avaliam rapidamente suas possibilidades e, em fração de segundos, põe sua mão direita nas boleadoras presas em seu cinto.

Ao mesmo tempo em que lança com precisão seu par de boleadoras no pescoço do guarda que se encontra mais próximo à sua frente, pega seu velho e sempre efetivo chicote, já acertando certeiramente a testa do segundo guarda que só teve tempo de arregalar os olhos. Este cai desacordado e o primeiro atingido, no chão e sentindo as delicadas, porém cruéis mãos da Mulher-Gato a tampar sua boca, agora sente a respiração ao pé do ouvido:

- Quero que me aponte com os olhos onde está o cofre, se pensar em gritar ou me atacar, rasgo seu peito aqui e agora – praticamente sibila a Gata, mostrando em sua mão esquerda as afiadas unhas de metal prontas para entrar em ação.

Com o suor frio escorrendo por suas têmporas, o guarda olha para baixo, diretamente para um compartimento inferior da estante de livros do prefeito.

- Muito bem, bonitão – Selina guarda suas garras, passa a mão delicadamente sobre a testa de sua presa e com um forte murro, põe o guarda para um cochilo noturno instantâneo.

Dirige-se ao lugar indicado, passa os dedos pelos livros e ao ver um pequeno bloco verde, que ela percebe não ser um livro e que seu lugar em meio aos Vade Mecums do prefeito não faz sentido algum, ficou fácil para a princesa do crime de Gotham. Desloca o bloco para frente, ouve um ‘click’ e vê a portinhola da estante se abrindo à sua direita.

O cofre, daqueles antigos, não oferece o menor desafio para a srta. Kyle que em uma série de movimentos rápidos e precisos o abre sem maiores dificuldades.

Mais de 100 quilates brilham à sua frente, com aquela lapidação clássica e perfeita, o diamante praticamente traduz-se em Poder da Elite de Gotham.
- E os malditos medrosos são tão ingênuos ao achar que a residência imperial seria o lugar certo pra guardar essa belezinha... hãn hãn – pensa alto consigo, balançando levemente a cabeça.

Pega a pedra e ao deslocar-se à janela mais próxima, um guarda chega correndo à porta:

- Parada! A Mulher-Gato está aqui! – grita o assustado homem, já empunhando sua Sub-Macine Gun.

Em um pulo, a Felina vai à janela e com seu chicote já em mãos, prepara-se para a rápida fuga, ouvindo os primeiros tiros sendo desferidos da veloz arma do sujeito.

Por centímetros não teve seu tornozelo atingido ao sair, e seu chicote, agora levando-a pra cima, faz com que em segundos esteja no telhado da mansão, agachando-se para engatinhar como manda o figurino.

Três, quatro ‘passos’ e olhando para baixo, aquela sombra com aquelas orelhas quase felinas enche seu peito, fazendo o coração pulsar como ainda não havia pulsado aquela noite.

- Eu acho que vi um gatinho... – Dispara a Gata, achando-se totalmente sagaz ao citar o desenho que passava distraidamente na TV de sua sala pela manhã.

- Dessa vez não, Selina. – Com a bat-garra empunhada, o Cavaleiro das Trevas atira em suas mãos e pés, que com um movimento rápido esquivam-se para a direita.

Colocando-se de pé e em posição de combate, com uma charmosa expressão de satisfação, a Felina, com aqueles grandes olhos castanhos focam o olhar atento do Batman:

- Estive esperando por você, Morcegão. Há quanto tempo esteve aí? – indaga a antiga bailarina.
- Tempo suficiente, sabendo que você viria atrás do Brilho de Gotham. – responde o Homem-Morcego.
- Então presumo que também esteve esperando pelo que está por vir, certo? – pergunta curiosa.
- Na verdade, este embate já acabou. – Retruca Bruce e, nesse momento, seu fiel escudeiro surge das sombras e segura os braços da tentadora vilã. – Você está presa Selina, sem mais perguntas, agora você só deve resposta às autoridades.
- Por essa eu não esperava, bonitão. Mas nós dois sabemos que muito em breve nos veremos novamente – diz calmamente Selina, com uma piscada, já sendo algemada por Robin.

E Bruce, com seu olhar misterioso, fita a algoz. Como se não quisesse estar fazendo aquilo, apenas cumprindo uma espécie de dever...

- A pedra não está com ela – diz o garoto prodígio, após revistá-la.

E com a chegada da polícia, um Batman parecendo confuso, em algum tipo de conflito interno, apenas conclui:
- Bom, essa questão já não concerne ao meu departamento. Vamos.

E pelo vidro da viatura policial, Selina vê as duas sombras adentrando a escuridão, e suspira...

“É, acho que agora sim topei com um verdadeiro desafio.” – pensa a anti-heróina.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O que escrever quando não se sabe o que escrever?

Podia pensar em contornos poéticos, cerrados por métricas perfeitas e rimas penetrantes. Podia desabafar, escrever algo sem mastigar, simplesmente pra ser engolido.
Poderia falar sobre as baleias no ártico, sobre vetos, greves, cotidianos e industrias.
Poderia dizer que o pequeno fato de ser, já é uma grande questão.
Afirmaria que escrever o que se sente é o mesmo que dizer. Mas não, nós sabemos, eu e você que aí sentado passa os olhos atentos nesse emaranhado de letras, que o ato de escrever busca o mais profundo do que se sente. Falar, dizer, proferir, gritar, bradar, vociferar... não se produz o mesmo efeito de uma boa escrita.


Enfim, divagarei sobre a nobre arte da confusão.


Confundir-se vai além de um engano próprio. Prestar papel de 'bobo' ao protagonizar um erro de cálculo, ou de tato não caracteriza uma cena memorável (a não ser aquelas situações que serão utilizadas insistentemente por stand-up comedians). 


Entrar em uma área perdida não significa apenas perder-se. Significa saciar a curiosidade, adentrar o desconhecido, experimentar, aproveitar, desbravar. E quem não aproveita a chance de provar, de experimentar, provavelmente não colecionou a experiência necessária para dignificar o próprio ser em um século tão plural.






Uma confusão, muitas vezes é sucedida de um "foi sem querer" que ilustra uma sensação de erro a ser esquecido. Cara... não esqueça de suas confusões. Use-as, mastigue-as, elas, além de servirem como experiência, podem mostrar um novo lado, uma fuga da rotina, uma imprevisibilidade ou diferença. Imprevisibilidade, diferença, palavras lindas que muitas vezes provocam conflitos. Mas na dose certa, tornam a vida mais "vivível".


Erros, acertos, comédia, tragédia, amor, indiferença, paixão, ódio, alegria, tristeza, viver, morrer, ousadia, retração... parece uma organização de antônimos dispostos em uma frase sem uma construção frasal. Note, organização. Agora brinquemos de baderna ~ Acertos, tristeza, amor, retração, morrer, indiferença, alegria, tragédia, ousadia, ódio, viver, erros, paixão, comédia. Afinal, a vida é uma grande confusão.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Pindaíba

Os anseios de um homem variam do possível ao impraticável, do conclusivo ao impenetrável, do tangível ao subliminar... pelo menos na minha cabeça. Quando não se sabe mais onde depositar sua própria fé, sua vontade de viver, de se prestar a alcançar um objetivo individual incompartilhável, é aí, meu caro, que estamos próximos da plenitude do vazio.
O vazio não é estar sozinho em um domingo, não é viajar sem alguém ao lado, não é estar solteiro e muito menos não ter o que pensar. O vazio é não acreditar. Não lhe preciso o ‘quê’ acreditar, mas simplesmente acreditar. O ato de ter esperança. De estar suficientemente certo de si, que uma missão será cumprida, ou que seu valor será reconhecido de alguma maneira.
Como se norteia depois de ser nocauteado por si mesmo? Como se ver, sabendo que nada mais o abala, e o que parece ser a única possibilidade de ser abalado não provoca efeito maior que um incômodo muscular?
Sinceramente, o já “avirgulado” ‘foda-se’ que se dá na vida já está a ponto de cessar minha vontade de acreditar. Acreditar pra quê, se no final a melhor solução será mandar um grandioso “FODA-SE” na cara da sociedade?
Um motivo, uma razão, um ponto. Algo que possa me dizer que o que já parecia impossível possa se tornar possível novamente. De que o impraticável se torne cada vez mais penetrável e tangível. Um motivo bom o suficiente pra ser defendido e que me faça bradar com louvor, “A despeito de tudo!”, só isso...
Não sei se esse emaranhado de palavras se caracteriza como texto, ou desabafo ou qualquer classificação lingüística plausível. Se não se caracterizar também, f... já sabe né, essa é expressão de menor encantamento no mundo, talvez seja o palavrão que mais define “válvula de escape”, e mesmo assim soa bonito em certos discursos ignóbeis. Ó vá, caça o rumo e não torre minha boa vontade, alma desconhecida!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Dúvida coerente

Andamos milhas, quilômetros, distanciamo-nos, aproximamo-nos... chegamos e saímos.
Afinal de contas, realmente sabemos onde queremos chegar? Com isso pertina-me outra indagação... no que tange ao limite, conhecemos os próprios, sabendo que podemos ultrapassá-los ou simplesmente respeitamos este, vivendo na pacata zona de conforto do "eu"?



Afinal de contas, dá pra ir além?!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Devaneio Sentimental

Eis um pequeno texto, que escrevi de forma despreocupada e de cabeça vazia, pra (jargão seja usado) dona do meu coração. Só pra registrar que ainda não 'morri'...

"Dizer que amor da minha vida é redundância. Daqui até a eternidade, talvez, muita pretensão. Acreditar que nossos caminhos foram traçados na maternidade é praticamente afirmar que papai noel existe. Paixão desenfreada. Arranjar mil rosas é complicado, roubá-las ainda, inimaginável... e pra qual motivo?! Desculpar minhas mentiras, mancadas?! Não é necessário tanto, isso, como diz o título, é exagero. E aí o ponto... não sou exagerado, nem me jogo aos seus pés. Mas se o sufixo é suficiente, posso afirmar veementemente: sou apaixonado. E meu amor não é inventado. Ele é criado, com bases sólidas e design impecável. Se a distorção de um dos maiores clichês do romance brasileiro pode ser ousada, ao menos me permite resumir a peripécia em poucas palavras, e usando o gancho: Eu, exageradamente, amo você."

domingo, 26 de junho de 2011

Homenagem a um amigo

A saudade de tempos não muito remotos às vezes aperta, e na iminência da loucura decorrente da falta que estes amigos fazem, realizamos loucuras como essa:



Forte abraço!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Inspiração no modismo

Podemos fingir que um avião no céu noturno é uma estrela cadente?!
Eu poderia mesmo usar um desejo agora, um desejo agora, um desejo agora...



e me pego nessa vontade toda vez que um momento se torna um marco...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Crônicas de Arximo - 5

Talvez o mais necessário dos erros fora cometido. A meia-volta firme do homem o fez traçar um novo caminho. Não exatamente ele o traçou. Parecia que agora, mais do que nunca, o destino se punha à sua frente, sem titubear, sem ponderar. Não sentia que tinha total controle sobre suas ações.

O botão, que agora ocupava o bolso frontal de suas vestes, trouxe imagens à sua cabeça. Tudo que poderia considerar-se subconsciente tornou-se altamente consciente, real e natural. As imagens criadas lhe davam a impressão de reproduções do que um dia acontecera. Via, constantemente, na cidade abandonada em que estava, fatos de seu passado. Não sabia se esta dádiva era digna de aprovação ou de preocupação. A voz que o advertiu da ultima vez ainda rebatia em seu crânio como uma bola de gude.

Eram duas horas da tarde. Seu relógio de sol era preciso. Repudiava o relógio digital. Caminhava pela cidade, como se fosse sua, até porque, não sabia para onde deveria ir. Estava desnorteado, sem direção, sem radar.

Repentinamente, uma nova imagem surge ao seu redor. Vê a cidade cheia, suas construções de pé. Humanos, muitos humanos. Em suma maioria, homens. Guerreando! Exército de branco... exército de vermelho. Se vira, um machado o acerta... não, apenas o atravessa... é como se fosse um fantasma. Sua presença não é notada em tais reproduções. Homens caem, sangue, brutalidade... pensou: - Primitivos.

Assistindo à luta, repara que o farol agora é um trono. Céus! O indígena ou alguém muito parecido com ele, talvez seu ancestral estava majestosamente posto naquele trono. O “pele-vermelha” desce de seu trono para dar assistência estratégica aos seus defensores. Neste momento, o homem percebe o botão, aquele que no momento está em seu poder, um dia este já esteve nas mãos daquele indígena.

- Interessante - pensou o homem de cabelos negros, muito mal cortados e secos.

Parecia que pela primeira vez nos últimos meses sentia apreço por alguém. Ficou curioso para saber mais sobre o nativo que o assistira nos últimos dias. Era ele, tinha de ser... seu próximo marco.

Estranhamente, após chegar a tal conclusão, sentia a presença de alguém novamente.

- Eu disse que não era tarde para voltar atrás – disse sua consciência, a velha e conhecida voz... reconfortante.
- Então, nem preciso perguntar meu próximo marco, certo? – perguntou inabalável o homem.
- Ainda acredito em você, Arximo. Teve a capacidade para tomar a atitude correta em um momento sem apoio algum. Este é o presságio do reconhecimento e isto o levará ao conhecimento. Neste momento, tens total controle sobre onde se levará e onde deve ser levado. – replica a voz, em tom materno.

E avista o leste. Lá, a residência do nativo, calma e serena. Era ele, seu próximo marco. E caminhou confiante, agora se reconhecendo. Arximo era seu nome e era um homem único, como qualquer outro.

Hint: Dizem por aí que as “atitudes é que provam quem é quem”.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Crônicas de Arximo - 4

Era o fim da madrugada. O calor do farol flamejante o fazia suar. O que seria aquilo? Seu marco haveria de falhar como nunca antes o tinha? Seria bom ou mau presságio? Tantas perguntas invadiram sua cabeça que não percebeu a estrutura desabando a poucos metros de si.

- Por quê?! – gritou o homem
Não houve resposta.

Afastou-se dos destroços. Já era manhã. 3 meses de sua saída se completavam naquele dia. O dia, nublado, mostrava-lhe sua cabeça ao céu... Embaralhada, obscura e mesclada de dúvidas. Esperou que o fogo se dissipasse. Os animais domésticos que ontem lhe incomodavam pareciam estar quietos hoje. Sentou, meditou... o fogo se dissipara.

Ereto, o homem de nariz arrebitado, pôs-se a vasculhar as ruínas do que outrora foi um farol. Um farol sem utilidade, marcado como uma espécie de obelisco, destruído no chão. Foi uma busca árdua. Até o fim do dia, apenas conseguiu averiguar que a estrutura do farol era de pedra o quê, torna o alastramento do incêndio muito estranho. Movera uma boa parte de entulho mas, sentia que ainda não era o suficiente. Aquele tinha que ser o seu marco.

No fim do dia, saiu em busca de comida e bebida. Encontrou, em um bar abandonado, um engradado de rum. Era mais do que podia desejar. Descobriu que dentre os animais domésticos haviam coelhos e porcos. Resolveu assar uns coelhos para saciar a fome.

1, 2 dias de escavações e buscas nos destroços. Seus suprimentos já eram escassos. Resolveu dormir e, no dia seguinte, faria o que jamais havia feito nos últimos 3 meses. Voltar atrás.

E voltou. Porém, não muito. Foi até a cabana do indígena em que se alimentara no dia em que chegara ao farol.

- Dia. – falou o homem, à janela do nativo.
- Ora, quem vejo. Então, esteve presente na destruição do farol ontem? – respondeu o nativo, calmamente.
- Sim. Você o viu e nada fez, não foi averiguar? – perguntou incrédulo o homem.
- A cada ano, no último dia do solstício de verão, o farol queima. E minha missão é reconstruí-lo, todas as vezes, em prol de meus antepassados. – respondeu superficialmente o indígena. – A propósito, os animais da cidade, eu os crio. Sinta-se à vontade para alimentar-se. – completou.
- O que não sai da minha cabeça é... quem fez isso, quem incendiou o farol? – indaga impaciente o homem.
- Sinceramente, não sei. Não costumam haver muitos visitantes por estas terras. Na verdade, você é o primeiro em 6 anos que vejo por aqui. – informa o anfitrião.
- Hum. – resmunga o homem.

Após ter se alimentado e garantido um estoque de suprimentos para a viagem, o homem se volta aos destroços do farol. Dorme em uma das casas abandonadas. Engraçado, esqueceu-se de perguntar por que a cidade era abandonada... se bem que agora esta dúvida não o atormentava.

Pela manhã, pôs-se a vasculhar as ruínas novamente. Desta vez, o espaço estava mais vazio, não seria necessário muito para descobrir se encontraria o que buscava ou se ficaria frustrado e sem instruções sobre como seguir, desta vez.

O sol, ao brilho de meio-dia, relutou em alguma coisa no meio das ruínas e, um brilho esbranquiçado veio em sua direção. Era ali. Ouviu um sussurro em sua mente:

- Cuidado.

Hesitou, pensou e enfim, prosseguiu. Não havia mais o que fazer mesmo. Viu um pequeno botão, brilhante e imponente com seus 5 cm de diâmetro. Tocou-o.


Continua...
Hint: Nunca é tarde para voltar atrás.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Crônicas de Arximo - 3

O homem corta um pequeno trecho de floresta. Já desceu a montanha. Se é que um dia ela de fato, existiu. Logo ao fim da floresta, uma cabana.
- Dia, companheiro. O que o traz a tão longínquas e solitárias terras? – pergunta o nativo, com jeito de descendente indígena.
- Apenas aprecio uma caminhada. O senhor poderia me oferecer algo para comer? – dispara sem relutância o homem.
- Sim, companheiro. Queira me acompanhar.
E entram na cabana, os dois homens, conversam sobre nada e comem o necessário para as próximas horas.
- Agradeço a hospitalidade. – diz o homem.
- Sinta-se à vontade para voltar – retruca o indígena.
Mas ele nunca volta. Não olha para trás. Apenas prossegue rumo ao farol.

Andando, saca sua flauta de bambu do bolso. Cinco canos, portátil e corta o silêncio como navalha. O homem, com semblante firme, toca sua flauta, pára, ouve o vento na copa das árvores. Sente o nada ficando, como um retardatário. Será que chegaria à uma resposta. Quase 3 meses. Não estava cansado. Por verdade, queria mais, através do nada, via-se ao fundo, o tudo. Sentia o sangue fluir ao longo de seus quase 1,80m de altura.
Em um riacho próximo, se lavou, trocou suas roupas e tirou um cochilo.

Era tarde quando chegou à cidade abandonada. Sentia enfim, o nada novamente. Acostou-se e soltou um grito:
- Alô! – e sentiu o eco ressoar pelos cantos.
Prosseguiu então, em frente. Cruzou 1... 2 km de ruas e alamedas de terra. Barracos de madeira vazios, sons de animais domésticos que não pareciam à vontade com sua presença. Chegara ao pé do farol.

Sentiu um calafrio. Um arrepio percorreu seu corpo. Era momento para uma boa noite de sono. Sabia que talvez... ou não. Sentia algo fugindo de si. Não se importou, era a sensação que mais lhe visitava. Abriu o saco de dormir e fez uso de sua primordial função. Dormiu.
Sonhos, pesadelos se intercalaram. Via uma batalha, gladiadores. Uma armadura vazia e um espadachim metido duelavam por uma rosa branca. Em seguida, viu um campo. Novo duelo, desta vez, duas mulheres, há tempos não via mulheres, mesmo em sonhos. Este duelo representava a vitória uma rosa vermelha. Sua visão mudou novamente. Viu uma cidade, uma família, brasões. Duas famílias. Duas dinastias. Acordou em meio ao fogo. O farol se dissipava em chamas.


Continua...

Hint: referência histórica, as rosas já duelaram, guerrearam.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Crônicas de Arximo - 2

Era peculiar a maneira como tinha o que desejava. Devia ser seu carisma. Porém, nunca teve tanto. O homem prosseguia caminhando, sem perguntar, sem ouvir, apenas pensando, sem consciência e/ou voz de compensação.

Anoitecia, dormia. Carregava na mochila um saco de dormir. Algumas roupas, suprimentos extras, quase não os usava. Dormiu no nada, ao pé da montanha, que, não parecia oferecer perigos. O homem estava enfim, nulo, excluso aos pensamentos de que existiam outros como ele no mundo. Adormecera.

Manhãs, tardes, noites. Humanos continuavam a lhe servir com cordialidade e prontidão. Não precisava então, se preocupar com alimentação. Não amava. Não odiava. Apenas buscava.

Uma semana se passou. Nada acontecera. Monótono, entretanto, livre dos “contemporanistas”. A idéia de “ismos” não lhe agradavam. Até que gostava um pouco do “egoísmo” e de suas ramificações.

Afinal, que montanha era aquela? Não oferecia frio, ou perigo, ou, adrenalina... Era mesmo seu próximo marco.
Só tinha certeza de uma coisa: seu epitáfio. Diria: “O nada lhe precede, o nada lhe prossegue.”. O nada era seu melhor amigo. Era apenas o que ouvia.

E eis que... o homem chega ao topo da montanha. Não olha para trás. Sente que pode estar chegando perto. Não sabia bem o que buscava, só tomava para si que o nada prosseguia, mas, uma hora, o tudo lhe completaria. Era o topo, calmo e sereno. Não tinham mosquitos. Sim, chegou a hora de ela aparecer...

- E agora, qual é o próximo marco, onde me levará? – pergunta o homem, parecendo esboçar um pequeno sorriso.
- Onde você se levou e onde vem se levando há 2 meses e meio. Responde a consciência, retumbante, parecendo pressentir o que o pequeno esboço de alegria queria dizer.
- Ainda acredito em você, não é tarde para voltar atrás... – completa a consciência.
- Não se iluda mais. O atrás não se faz. Se nada tenho deixado, para onde serei levado? – indaga o homem, em tom poético.
- Sentes, pois? Não está abalado, pois sabe que o nada será deixado. É isto em que acredita? – desafia a voz, em tom de deboche.
- Então você sabe. Por fim, não estou aqui em vão... – completa com altivez o nobre homem.

E ao longe, avista um farol. Estranho farol, no meio de uma cidade abandonada. Não ilumina, não há água por perto. Aquele era o próximo marco.


Continua...
Hint: Mosquitos são presságios de morte em algumas mentes insanas.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Crônicas de Arximo - 1

- Sim senhor, a bebida hoje é por conta da casa. - o barbudo diz ao homem.
- Está ok, só espero que não hajam futuras compensações por isso. - replica o homem.

E saindo do estreito bar, o homem encontra a paz exterior, o aroma de eucaliptos molhados ao som de pássaros entoando agudos sem pudor. Encontrou. Pena que a paz interior, ele deixou em algum lugar ao sul, em rumo ao oceano. Necessitava do sal, não do açúcar.
E com o ar de quem não tem nada na carteira, exceto fotos perdidas em recordações nostálgicas, mas não arrependidas, dirige-se ao nada, com passos silenciosos por entre os maratonistas e ciclistas daquele lugar. Era uma ciclovia afinal.

- Onde isto me levará? - pergunta a si mesmo, o homem.
- Onde você se levou e onde vem se levando há 2 meses. - responde sua consciência, a plenos pulmões e acrescentando: - Ainda acredito em você, não é tarde para voltar atrás...
- Não acredito que queira voltar à monotonia, não quero olhar para trás... apenas desejo um copo de vodka e uma pitada de adrenalina - retruca o homem para si, enérgico.

E sai, correndo, em direção ao horizonte. Uma montanha o espera ao fundo. Ele almeja o seu topo e, após isso, voltar a ouvir sua consciência sobre o próximo passo.

Fazem dois meses que saiu de casa. Cansou de sua mãe lhe dizendo o que fazer. Tinha seus 20 e tantos anos de idade. Largou a faculdade. Largou o carro. Largou o que chamava de "sociedade contemporanista". Só queria chegar ao próximo marco e, de lá, marcar o próximo.

Continua.
Hint: É divertido brincar com a fonética da letra "x" nas palavras.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Re.: Lembrando.

Só para constar. Racionalmente, denominamo-nos humanos. A racionalidade é o que torna tudo real à base dos nossos 5 sentidos. Pela razão, sobrevivemos. Para mim, a grande sacada do racionalismo é o simples "viver" em razão de "sobreviver". Baseando-se nesse conceito, descobrimos que a natureza, a biodiversidade, o mundo existem, racionalmente existem. A razão é o que nos faz acreditar em praticamente tudo. O concreto é razão. O abstrato é - por não ser usualmente provado pela razão - muitas vezes desconsiderado.
Não venha me dizer que os animais são irracionais. Irracional é tal afirmação. Se a vida não-humana em si é irracional, os animais não teriam motivos para sobreviver. Eles sobrevivem, vivem e se protegem por serem altamente racionais. Animais não se suicidam. Não voluntariamente. Na verdade, é bem sabido que o prefácio do suicídio é a emoção. A emoção é o que questiona os princípios racionalistas. A emoção é, simplesmente, o que torna os humanos mais humanos. O que, a meu ver, realmente nos difere das demais espécies vivas.
O script da natureza, em sua totalidade, não é baseado na emocionalidade. Tudo ocorre de maneira simétrica, perfeita e precisa. A emoção é justamente o contrário - como aprendemos por experência e estudo - assimétrica, imperfeita e imprecisa. E esta sim é a característica que difere a raça humana, o homo-sapiens (sapiens) dos demais seres vivos existentes ou "existidos".

Enfim, o meu ponto é. Não deixe a razão prevalecer em sua vida. Você é humano, este é o grande erro. E você é imperfeito, não tente ser o contrário. Viva suas emoções, abuse delas, alimente-se delas. Torne-se único, ímpar. As grandes descobertas decorrentes da "razão" (renascentistas caloteiros) foram, sem dúvidas, banhadas em emoção. Até porquê, quando estamos perto do fim de uma busca, banhamo-nos em emoções.
Você é humano, a razão, atualmente, é o que te faz ser aceito pelos outros humanos. Emoção é o que lhe causa prazer, momentos e lapsos de real sede de viver. Não seja hipócrita em dizer que a razão pode proporcionar-lhe prazer, satisfação e orgulho. É altamente superficial. O que aprofunda os sentimentos, causa a sensação de força, liberdade, e o que realmente nos faz chegar perto do real prazer é a simples e pura emoção.
Não sei se estou realmente sendo coerente neste texto, mas hoje, só parei e pensei: "Puxa! Estou me tornando um chato, frio e cauculista... racional! Me sinto um robô.".
Emoção é a nossa dádiva e nosso martírio. Mas é o que nos faz tão especiais. O ser humano é o que mais tem facilidade em sentir, pressentir e ressentir sobre algo. Tais fatos não são manipulados pela razão. Sejamos humanos, associemos os opostos e vivamos da melhor maneira possível. Não deixe que um prevaleça sobre o outro. O meu medo é que... eu vejo... em um futuro próximo, uma sociedade cada vez mais racional... seremos robôs antes mesmo de criá-los à perfeição.
A raça humana não deve perder sua identidade.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O paradoxo da idade humana

Li uma passagem realmente fascinante, diga-se de passagem, em um livro que não gera a impressão de deixar mensagens fascinantes. Harry Potter. Sim, senhoras. No quinto livro do Bruxo inventado por J.K. Rowling, o diretor da escola de magia de Hogwarts, Alvo Dumbledore, ao prenunciar uma falha cometida por ele em relação ao protagonista, Harry, declara o martírio dos idosos na hora do trato aos jovens. (A passagem está dentre os 3 capítulos finais, é pouca coisa, se lhe interessa procurar...)
Todos sabemos que a relação jovem x idoso é sempre coberta por muito respeito, até por quê, naturalmente, sempre temos (falo como um jovem) a impressão de que o idoso que tratamos terá uma resposta para toda e qualquer pergunta, é sabido também que tem mais experiência de vida e, consequentemente, evitamos entrar em embates com estes adoráveis humanos "bem-passados".
Como ainda não passamos por tal fase, nosso respeito só aumenta, uma vez que a vivência é uma das qualidades que mais admiramos em outros seres humanos.
Em contrapartida, muitas vezes somos tratados como crianças pelos mais velhos. Tratam-nos como se não soubéssemos de nada e não temos experiência alguma, só pelo fato de sermos novos. Outras tantas vezes, martirizam nossa opinião, "cortam" o nosso espírito de luta e definem a maioria de nossas ideologias como tolas e mal-pensados. "Falta-lhe tempo e aprendizado para tornar-te mais sólido, filho.".
Até agora, não há novidade no que tenho dito.
Mas, voltando a passagem do livro (por mais que pareça bobinha, realmente me alertou a este conceito, e, tal, não baseia-se na velha discussão de que "Tamanho não é documento", no caso "Idade não é documento"), Dumbledore, ao declarar sua falta de confiança em Harry a contar-lhe um segredo, deixa evidente seu arrependimento, e declara, sem meias-palavras que o grande culpado de tal desconfiança fora esta relação (idoso x jovem). Acreditara que o menino Potter era novo demais e demasiado incapaz de receber tal informação, crucial para sua vida doravante.
O presente "erro" de Dumbledore fora esquecer-se, de que um dia fora jovem e, tinha as mesmas sensações sobre os velhos como sabia que Harry teria para com ele. Esta conclusão me alertou sobre o assunto e me fez refletir sobre a mesma. Percebi, que sempre tinha esta sensação, só não conseguia defini-la. Que nossos pais, avós, bisavós já foram jovens um dia e, tendo sido, nada mais normal do que rebuscar suas memórias para que melhor avaliem nossas angústias e concepções em geral. Sempre temos a impressão de que eles já nasceram VELHOS!
Ainda hei de conversar com uma avó minha sobre isso, tomei-me de curiosidade a saber mais sobre sua vida como jovem. Realmente acho que terei resultados interessantes.
Por mais que o tema pareça ignóbil e de indigno valor para muitos, vale bastante para o trato humano e, igualmente, para o CONtrato humano...
Nós, como jovens, naturalmente, não sabemos o que é ser idoso. Deste modo, o lado compreensivo da relação deve ser, em sua maior parte, o dos velhos. Eles um dia souberam o que é ser jovem e, certamente, ainda não o esqueceram. Imagino o quanto não seja nostálgico a eles pensar nisso...

Brinquedo Mestiço

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O pequeno mosquito estereotipado por um INSANO



As circunstâncias que me levaram a concretização deste texto não serão expostas. Só posso afirmar que estava longe do chão e em um momento ímpar. Minha fonte de inspiração... um mosquito! Reles e banal... completo e genial!
Aí segue a parafernália:

Um pequeno inseto do meu sangue bebeu... dois movimentos e ficara desnorteado...
pobre coitado, meu sangue estava envenenado
O suficiente para ter o reles prazer de vê-lo sangrar, ver o meu líquido vital esparramado pelo chão.
É, pequeno mosquito, o veneno que corria em minhas correntes estava repleto de arrependimento, culpa, mágoa, solidão, melancolia e vagueza. Um vazio indescritivelmente brando e denso. Era como se estivesse encapsulado em gelatina.
A verdade é que, ao provar do meu veneno, pequeno mosquito, assinaste tua sentença de morte. E realmente não acredito que isto seja um castigo. Morrer em um mundo tão ininteligível, intolerante, ininterruptamente corrupto, intragável e intransigente, não é um castigo. Pagaste com tua indiferente vida o sacrilégio de um humano patife. Seu sangue burlado, seu sangue abençoado, seu sangue amaldiçoado.
A dúvida sobre sua, minha existência perdurará eternamente, meu pequeno mosquito. Meu sangue é o nosso elo. Meu sangue é o nosso martírio. Meu sangue é nossa vida e a nossa morte.


In memorian, ao meu pequeno mosquito. 


Ass.: O Brinquedo Mestiço