terça-feira, 23 de agosto de 2011

Aquela década maluca

Houve uma década onde as pessoas eram mais livres. As perseguições e preocupações um tanto menores. Nessa década, as pessoas tinham mais liberdade de ser o que quisessem. Sim, nessa década existia moda, existiam tendências, mas, parece que as tribos eram menos visuais e mais ideológicas. Nessa década, as pessoas se reuniam em locais abertos para celebrar a união dessas diferenças, para celebrar a música ao ar livre. As drogas estavam ali, o sexo estava ali, algumas pessoas chegavam a dançar nuas, se enlamear sem medo de serem julgadas. Aqueles que viveram a adolescência e o início da idade adulta nessa época souberam e experimentaram uma liberdade que se acabou. Hoje as festas possuem áreas VIP. Hoje as drogas são mais viciantes, mais prejudiciais e muito menos sociais. Hoje o sexo não representa nada a não ser a satisfação dos hedonistas. Hoje pouco importam as tribos, culturas. Hoje, aqueles que viveram naquela década maravilhosa, são velhos demais para dizer algo.

Que bom que eu vivi aquela década… os anos 2000 foram os novos 60. Quem esteve lá sabe do que estou falando. Agora é aguardar que em 2020-2030 as pessoas digam: "Os anos 2000 foram anos que marcaram a história da humanidade, aquelas pessoas sim eram felizes.”

Eu estava lá.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Anônimo

Eu nos matei
Desculpe

Antes não tínhamos nome
E por isso não poderíamos
Ser lembrados
Ou ser esquecidos

Não podíamos morrer
Mas também não podíamos crescer

Eu nos matei
Desculpe

Dei nome ao inominável
E nos matei

Por não termos nome
Não poderíamos deixar de existir
Mas será que existimos?

domingo, 14 de agosto de 2011

Coisas que não se entende... Parte 2/2

"Ao acordar, nada diferente da manhã passada. Ele percebeu que tudo estava como o dia anterior e então resolveu ir novamente ao campo onde era tão feliz, ele carregava consigo sua caixa com a viola. Chegando ao local procurou e chamou por mais de uma hora sua amada, e nada. Sentou-se ao pé de uma árvore para descansar e lá começou a tocar acordes tão tristes quanto sua alma naquele momento. De repente aquele lugar não era nada convidativo e nada belo, era cansativo, faltava algo ali, e ele sabia o que era.

Chegando à casa de seus novos amigos ele a encontra vazia, mas tudo está intacto, móveis e enfeites, menos suas lembranças agora. Ele grita por todos, por qualquer um, por uma em especial, mas ninguém atende. Milhões de coisas passam por sua cabeça. O jovem agacha-se com a cabeça entre as pernas e começa a chorar, parece que esses poucos dias que estivera ali se transformaram em toda a sua vida. Ele pensa que aquilo é um pesadelo, nada mais pode fazer, se não esperar que alguém o acorde. Mas quem? Ele adormece ali, no chão, de tão cansado que estava.

Mais uma vez consciente, ele ainda se encontra mergulhado na mais profunda das depressões, mas ele se levanta e, com sua inspiração de artista, mas sem saber exatamente o porquê, pega um lápis e um bloco de folhas, capa de couro avermelhado, meio envelhecido, costurado a linha branca, abre-o e escreve um verso. Ele promete para si mesmo que escreveria um verso para cada dia que sua amada não estivesse com ele, mas faria com que cada verso parecesse ser o fim, ser o final de uma historia triste, o fecho de um pesadelo, com a esperança da jovem, que agora só aparecia em sonhos, voltasse.

Depois de alguns versos escritos, vizinhos diziam que ele estava louco, e fazia dias que não o viam, mesmo depois da festa já ter acabado. A casa permaneceu fechada, portas e janelas cerradas, durante esse tempo todo. Certo dia, autoridades foram chamadas e abriram a casa. Encontraram o bloco de folhas no qual o rapaz se propôs a escrever, e nele tinham versos que faziam qualquer um chorar, e estava ali, jogado, em cima da mesa central. Então se aprofundando na escuridão, que a casa fechada proporcionava, eles encontraram alguém. Era o homem que estavam procurando, ele estava em pé, mas mais alto que o normal. Quando olhavam para seus pés notava-se que ele estava em cima de uma cadeira, e seguindo a visão pelo seu corpo percebia-se uma corda em seu pescoço. Todos temiam o que ele fizesse naquele estado.

Sempre mirando a visita com seus olhos, olhos que pareciam vazios, sem medo e nem coragem ao mesmo tempo, ele pronunciou suas últimas palavras. Ele só desejava que aquela corda fosse um colar, tão belo que sua amada o desejasse a qualquer custo. Parecia que seu amor transformou-se em ódio, na mesma magnitude que sua insanidade. E então ele chutou a cadeira e em segundos se asfixiou em sua própria loucura. Todos ali, policiais, vizinhos e curiosos, viraram os rostos, ninguém queria ver aquela cena, era macabra, era triste.

Ninguém terminou seu poema, mas sabiam o que ele sentia, naquele momento de sofrimento ele transmitiu ao mundo sua mágoa.

Minutos depois, com a repercussão do caso, típico de cidade pequena, mais curiosos se aglomeraram na casa, e alguns contam que um garoto, que por sorte não sabia ler na época, na confusão, pegou aquele bloco de folhas, e o escondeu, pois o objeto nunca mais fora visto."

O jovem se impressiona com a história e entende que existem coisas que não entenderemos, mas continua achando estranho o avô pensar nisso tanto tempo, já que tudo volta à certeza de que não será entendida, não importa quanto tempo se vive. O rapaz, ainda refletindo sobre a história vê o velho levantar-se e ir até o armário da sala, aquele que ninguém podia mexer, e abastecer mais uma vez seu copo. Mas não nota, ao fundo, o verdadeiro motivo de ninguém poder chegar perto daquela repartição do móvel, um motivo com capa de couro avermelhado, meio envelhecido, costurado a linha branca.


domingo, 7 de agosto de 2011

Dúvida coerente


Por que a banana nanica é uma das maiores?