Era o fim da madrugada. O calor do farol flamejante o fazia suar. O que seria aquilo? Seu marco haveria de falhar como nunca antes o tinha? Seria bom ou mau presságio? Tantas perguntas invadiram sua cabeça que não percebeu a estrutura desabando a poucos metros de si.
- Por quê?! – gritou o homem
Não houve resposta.
Afastou-se dos destroços. Já era manhã. 3 meses de sua saída se completavam naquele dia. O dia, nublado, mostrava-lhe sua cabeça ao céu... Embaralhada, obscura e mesclada de dúvidas. Esperou que o fogo se dissipasse. Os animais domésticos que ontem lhe incomodavam pareciam estar quietos hoje. Sentou, meditou... o fogo se dissipara.
Ereto, o homem de nariz arrebitado, pôs-se a vasculhar as ruínas do que outrora foi um farol. Um farol sem utilidade, marcado como uma espécie de obelisco, destruído no chão. Foi uma busca árdua. Até o fim do dia, apenas conseguiu averiguar que a estrutura do farol era de pedra o quê, torna o alastramento do incêndio muito estranho. Movera uma boa parte de entulho mas, sentia que ainda não era o suficiente. Aquele tinha que ser o seu marco.
No fim do dia, saiu em busca de comida e bebida. Encontrou, em um bar abandonado, um engradado de rum. Era mais do que podia desejar. Descobriu que dentre os animais domésticos haviam coelhos e porcos. Resolveu assar uns coelhos para saciar a fome.
1, 2 dias de escavações e buscas nos destroços. Seus suprimentos já eram escassos. Resolveu dormir e, no dia seguinte, faria o que jamais havia feito nos últimos 3 meses. Voltar atrás.
E voltou. Porém, não muito. Foi até a cabana do indígena em que se alimentara no dia em que chegara ao farol.
- Dia. – falou o homem, à janela do nativo.
- Ora, quem vejo. Então, esteve presente na destruição do farol ontem? – respondeu o nativo, calmamente.
- Sim. Você o viu e nada fez, não foi averiguar? – perguntou incrédulo o homem.
- A cada ano, no último dia do solstício de verão, o farol queima. E minha missão é reconstruí-lo, todas as vezes, em prol de meus antepassados. – respondeu superficialmente o indígena. – A propósito, os animais da cidade, eu os crio. Sinta-se à vontade para alimentar-se. – completou.
- O que não sai da minha cabeça é... quem fez isso, quem incendiou o farol? – indaga impaciente o homem.
- Sinceramente, não sei. Não costumam haver muitos visitantes por estas terras. Na verdade, você é o primeiro em 6 anos que vejo por aqui. – informa o anfitrião.
- Hum. – resmunga o homem.
Após ter se alimentado e garantido um estoque de suprimentos para a viagem, o homem se volta aos destroços do farol. Dorme em uma das casas abandonadas. Engraçado, esqueceu-se de perguntar por que a cidade era abandonada... se bem que agora esta dúvida não o atormentava.
Pela manhã, pôs-se a vasculhar as ruínas novamente. Desta vez, o espaço estava mais vazio, não seria necessário muito para descobrir se encontraria o que buscava ou se ficaria frustrado e sem instruções sobre como seguir, desta vez.
O sol, ao brilho de meio-dia, relutou em alguma coisa no meio das ruínas e, um brilho esbranquiçado veio em sua direção. Era ali. Ouviu um sussurro em sua mente:
- Cuidado.
Hesitou, pensou e enfim, prosseguiu. Não havia mais o que fazer mesmo. Viu um pequeno botão, brilhante e imponente com seus 5 cm de diâmetro. Tocou-o.
Continua...
Hint: Nunca é tarde para voltar atrás.
segunda-feira, 8 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
Lealdade

Então, o seu nome é Darleny Cunha, não é?
É isso mesmo doutor.
É senhora Cunha, o seu caso é complicado. Como vou poder dizer para o Juiz que ele ameaçava a sua família se não tenho nenhuma prova? Você devia ter feito pelo menos um boletim de ocorrência para poder confirmar a sua história.
É como eu disse da última vez que você esteve aqui, Promotor...
Não, já te falei algumas vezes, eu sou Defensor Público, o Promotor é o cara que quer te manter aqui.
Pois bem seu Defensor, o Wanderley, o Wandinho, vinha ameaçando eu e o Douglas já tinha muito tempo, ele queria que nois saísse da casa onde a gente tava pra fazer um boca pra vender crack, mais nois não ia sai não! Ai quando ele falou que ia sumir com as crianças eu não vi outra opção senão acabar com aquele sujeito.
Crianças? A senhora tem filhos?
Sim, tenho 3. Mais não sou eu quem cuida não, é a minha mãe que cria, ela tá morando ali perto de Campo Grande, bem no finalzinho de Bangu, conhece?
Não... Mas vou colocar isso no seu processo, bem, o nosso tempo acabou. Assim que conseguir alguma novidade eu venho te informar. Boa Tarde.
Após terminar de falar o Defensor fecha o processo que tinha nas mãos e sai da sala, quase que no mesmo instante entram duas agentes penitenciárias e me levam de volta a cela. Na Penitenciária Feminina Tavarela Bruce, a TB, tudo é cinza. E essa cor me dá pesadelos, pois me lembram como vim parar aqui.
Tive que mentir para o advogado porque se contasse a verdade iria mofar aqui até as crianças terminarem o colégio e não ia poder ver o Douglas jogando.
O Douglas é uma pessoa boa, é o melhor do bairro na pelada. O Bangu já tinha chamado ele pra jogar e disse que ele tinha potencial, com um pouco de treino ele ia estar logo logo jogando no Flamengo e em seis meses estaria na Europa.
Mas o Wandinho não gosto nada disso e falô que ele tinha que ser um dos guerreiros dele senão ia comer grama pela raiz.
Não podia deixar o Wandinho fazer isso! Por isso fui na casa dele quando ele tava dormindo e virei uma panela de água quente bem no ouvido dele! A casa dele era toda chapiscada de cimento, exatamente a mesma cor que é tudo por aqui.
Eu sei que o que fiz vai servir para alguma coisa no futuro quando o Dodô estiver lá
na Europa ganhando milhões.
Agora é só esperar. Ele ainda não veio aqui nesses dois meses porque deve estar treinando, mas eu sei que ele vai vir aqui me visitar e arranjar um jeito pra me tirar daqui.
Eu só tenho agora é que esperar...
quinta-feira, 4 de março de 2010
Inferno Verde

Como você imagina que é o inferno? Para mim ele é verde, quente e têm muitos, muitos, mosquitos.
Estou em um destacamento aduaneiro do exército as margens do rio Apapóris faz 8 meses e 13 dias. Quando ainda estava na AMAN todos falavam que as áreas de fronteira são os melhores lugares para se servir, pois cada ano conta como um ano e meio na carreira. O que todos se esqueceram de contar é que cada segundo que você passa nesse inferno verde parece um século e tudo o que vive ao seu redor é bruto e hostil.
Pergunto-me porque alguém abriu uma trilha no meio da floresta para chegar no meio do nada e constatar que ainda existe mais floresta e mosquitos num raio de 300km.
Há exatos 10 meses atrás eu estava tendo um dos dias mais importantes que um homem pode ter na vida. Estava casando. Que coisa idiota para se lembrar aqui. Pensando bem, o sentimento que vive em lembranças como essa é o último oásis de sanidade que tenho.
Gostaria de lembrar mais coisas daquele dia, mas a única coisa que lembro com clareza é um pouco mais antiga que a data do casamento.
Foi quando pedi a mão da Roberta em casamento.
Nossa, como estava com vergonha, tentei não parecer muito clichê, mas quando percebi estava com um buque de rosas apertando a campainha da casa dela. A única frase que consegui pronunciar foi “Quer casar comigo?”
Nunca vou esquecer o brilho daqueles olhos verdes. Podia-se ouvir por todo o firmamento as estrelas cochichando, morrendo de inveja daquele brilho. E o que mais me atordoava, era que aquele brilho era para mim.
!?
Espere. Que barulho é esse? Isso foi um tiro? Desde quando mosquitos dão tiros? Definitivamente não são mosquitos. Sempre soube que a ASFARC tinha uma base na região, mas daí para atacar um posto de Exército Brasileiro. Tem alguma coisa errada.
Corro para o galpão improvisado que fizemos para guardar as armas, noto que muitas já não estão aqui, devem estar sendo usadas no combate. Pego o velho FAL M-964 que tem disponível, olho rapidamente para o cartucho e vejo que tenho munição para apenas 12 tiros.
Vou ter que colocar em prática tudo que aprendi e fazer por merecer as medalhas que carrego na farda.

Ao sair do galpão escuto um barulho ensurdecedor a minha direita e vários corpos de colegas pelo chão. Me protejo do fogo cruzado atrás de um blindado, o Cascavel, e tento me concentrar, não posso errar.
Na fumaça a minha frente vejo um vulto, calma, pode ser um colega. Não é, dou dois tiros, acerto o ombro e o peito, mais vultos vem em minha direção. Merda.
Continua atirando até ouvir o som que temia.
Tick, Tick, Tick.
Estou sem balas.
Vejo minhas opções. Faca e uma pistola HK USP. A vida real não é CS, ou um filme holywoodiano, não tenho chances contra armas automáticas.
Continuo tentando mantê-los afastados com a pistola, mas as 13 balas não vão durar muito mais. Neste momento passa ao meu lado um soldado carregando um MK-46, ele pensa que é o Rambo e corre de peito aberto para os invasores.

10 Segundos depois ele está conversando com São Pedro, contando como foi corajoso.
Pelo menos agora tenho uma arma de verdade.
Do lugar onde estou continuo atirando. A fumaça está sumindo, e os invasores também.
Após o combate caminho sobre os escombros do que antes era o alojamento e percebo que os “inimigos” na verdade não passam de crianças imberbes com armas na mão, seus rostos, ou o que sobrou deles, tem dentes podres e seus são olhos vermelhos.
Então estes são os demônios do inferno verde? Crianças sem esperanças que buscaram uma vida melhor pelo caminho errado e agora vão servir de adubo para que este lugar gerar mais seres como eles?

Junto todos os companheiros feridos que encontro e começo a fazer os primeiros-socorros.
Alguns minutos depois encontro o major Moura chegando em um helicóptero acompanhado por mais dois soldados fortemente armados, ele é o responsável pelo posto. Aonde será que este infeliz estava?
Ele me pergunta o que aconteceu e como sobrevivido ao ataque.
Informo o que aconteceu e mostro que ainda existem feridos pelo local e que vamos precisar de médicos, talvez os da base de São Gabriel da Cachoeira.
Ele fala que não é para me preocupar, que tudo já está resolvido.
Como assim?
Ele me pergunta onde estão os feridos e quantos são. Digo o número de sobreviventes que encontrei e caminho em direção ao local onde estão os feridos.
Escuto dois tiros.
Não me lembro de estar com sono. Porque a minha vista está ficando turva?
Mais um tiro.
Caio de joelhos.
As últimas palavras que escuto são ordens dele para os soldados que o acompanhavam ligarem para o Fuentes e dizer que a missão foi um sucesso.
NÃO! Eu não quero terminar assim! Se conseguisse pronunciar alguma coisa mandaria o infeliz do major para um lugar pior do que aqui, mas não quero terminar esta vida pensando em vingança, quero me lembrar de um lugar além dessa dor, um lugar tranqüilo, aonde o verde dos olhos da Roberta irão me fazer esquecer o verde deste lugar.

Eu posso vê-la, por entre lençóis brancos...
terça-feira, 2 de março de 2010
A arte de comunicar

Já parou para pensar se tudo o que você diz ou escreve é compreendido?
Na maioria das vezes simplesmente começamos a falar ou argumentar e nem ao menos nos preocupamos se nossos receptores estão entendendo a nossa mensagem.
Sim caro leitor, porque comunicação consiste na transmissão da mensagem do emissor ao receptor e na compreensão da mesma (isto é, quando ocorre o feedback).
Na era da informação somos constantemente bombardeados com mensagens de todos os tipos, e envoltas por todos os tipos de ruídos que prejudicam o nosso entendimento acerca do assunto abordado.
Para efeito de curiosidade, os tais ruídos são mais conhecidos como GAP's, e suas causas mais comuns são: ambiente adverso, momento impróprio, linguagem inadequada, exposição descuidada ou exagerada, incoerência na mensagem, conotação preconceituosa e choque de personalidades/culturas diferenciadas.
Pode parecer simples, mas não é.
Por diversas vezes nos comunicamos e nem sequer reparamos nas reações daqueles que nos ouvem.
Para se ter uma idéia, quando nos comunicamos verbalmente, 7% correspondem às palavras, 38% ao tom de voz e 55% à postura corporal.
Sim, nosso corpo fala E MUITO por nós!
Aliás na minha opinião, o corpo é a melhor forma de identificarmos tudo aquilo que queremos saber a respeito daqueles que nos ouvem.
Fica então a dica, da próxima vez que for se comunicar, procure ter o mesmo grau de compreensão daqueles que recebem a sua mensagem, afinal de contas nem todo mundo é igual, e cada um tem o seu tempo e sua maneira de refletir acerca de algum assunto.
Caminhando....

Caminho através da multidão. Não sou capaz de precisar que horas são ou a quanto tempo estou caminhando. A chuva fina que cai desde o amanhecer com pequenas oscilações faz com que o belo dia de verão se metamorfoseie em uma longa e triste tarde de inverno. Sinto as gotículas de água em meu rosto e lembro-me das lágrimas de Cibele ao ver sua filha Perséfone retornando com Hades para o submundo. E isto é sinal que a estação quente e frutífera realmente se aproxima de seu fim.
Estranhamente estou triste. Não costumo apresentar esse tipo de emoção. Sou indiferente a maioria das coisas, e não tenho ideia do que exatamente me entristece. Talvez seja o conjunto da obra, e não um mero detalhe.
Paro, mediante uma banca de jornais. Dou uma rápida olhada nas manchetes regionais. As quais parecem se preocupar exclusivamente com aberrações sensacionalistas. "Pastor garante ter ressuscitado bebê com música gospel que compôs", "Reencarnação é comprovada através de imagem de ultrassom de alma de avô reencarnando em bebê", "Jardineiro descobre que é corno e mata mulher a tesouradas". Por incrível que pareça um jornal ainda se salva deste funesto prognóstico. Uma das manchetes é: "Direitos humanos, somente para humanos direitos?". Esse tipo de leitura que a sociedade precisa. Mesmo que parte dela, provavelmente, não entenda.
Relanceio o olhar para a calçada. As pessoas passam, em seus rostos não a nada. Não são alegres, nem são tristes. Não são nada, apenas estão. Estão vivendo. Ou sobrevivendo. Volto a atenção para a banca.
Uma notícia de rodapé, de outro jornal, me chama a atenção. "Pintor afirma ter visto jovem cometendo suicídio pulando no rio". Pego o jornal e passo os olhos por sobre a notícia. Não encontraram um corpo, sequer há outras testemunhas além do pintor, o qual estava distante demais para ajudar.
Então, havia um pintor. Saí para que não houvessem testemunhas, para que aquele homem ficasse entregue ao seu destino, e apenas a ele. Entregue as decisões irrevogáveis das Parcas implacáveis. E que o mundo ficasse entregue as dúvidas.
Bem, ele pulou afinal. Entretanto, não há como saber qual destino realmente teve. Pode ter se arrependido e buscado escapar com vida. Assim como já pode ter atravessado o Aqueronte na jornada para o submundo.
Continuo minha caminhada vendo que perdi uma oportunidade única. Deveria ter lhe perguntado o que ele esperava do inferno. A ideia de alguém que está prestes a retirar a própria vida sobre o que espera que aconteça, deve ser algo único. Muito diferente do que qualquer outro que eu pergunte agora, aqui. Qualquer um que eu pare terá uma resposta pronta. "O inferno é quente moço.", "É o lugar onde mora o capeta!" entre outras coisas. Se a pessoa pensasse um pouco, e fosse sincera, responderia com algo que teme, afinal, se é pra imaginar o pior castigo possível, será algo que teme-se que aconteça.
Viro a esquina, um forte vento ameaça transmutar a leve garoa em uma tempestade. Olho para o céu enquanto as pequenas gotas passam rápido diante da minha vista.
Para mim o inferno é um lugar frio e silencioso, onde não há nada nem ninguém para se observar, a não ser suas próprias decepções e arrependimentos.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Dimidium
É este o dia que eu tanto esperei! Há anos minhas telas aguardam por esta oportunidade. Desde a chegada das grandes companhias mercantis este cais nunca mais foi o mesmo. Carros e pessoas tumultuam a paisagem, proibindo que os demais apreciem a belíssima paisagem por detrás da amurada. Sunna não se permite observar em sua trajetória vigilante sobre nós. Somente momentos antes de se deitar me permite um breve vislumbre de sua silhueta, como aquela vizinha gostosa que tira as roupas por detrás da cortina. Talvez seja influência de Njörd... FOCO RAPAZ! Esse momento não durará para sempre, e é preciso que você o memorize se quiser pintar direito! Não sei quando terei outra oportunidade igual a essa...
Realmente... muitas pessoas atrapalha a paisagem, mas estas poucas aqui presentes a deixam ainda mais bela.
Armo o cavalete, disponho as tintas e os pincéis... dei sorte mesmo! Mas o que vejo me deixa ao mesmo tempo animado e nervoso. Estes dois jovens parados na amurada... como são belos. Devem estar em seus trinta anos, portanto, são jovens para mim. Serei o responsável por eternizar sua beleza e juventude em minha obra. Quanta honra e quanta responsabilidade. Não sei se sou merecedor de tanto, se tampouco se sou capaz, mas... não posso esperar mais. Devo começar. Mas que saudades de minha juventude! Já estive no lugar destes rapazes, olhando o horizonte apoiado na amurada. Foi ali que conheci minha esposa. Como éramos diferentes de hoje, ela... ANTENÇÃO HOMEM!! A vizinha já apagou a luz e prepara para se deitar. Preciso ser ligeiro.
Rapidamente dou os primeiros traços a lápis, traço limites, sombras e contrastes. É exatamente como eu sonhara. Daqui posso ver os rostos dos belos rapazes, e assim como as curvas da paisagem, consigo retratá-los com exatidão. Enquanto desenho, um deles me chama a atenção, por seu olhar triste e vacilante. Acho que compreendo o que sente. Já tive essa idade, já me senti assim. Imagino como ele ficaria surpreso se contasse a ele que até mesmo já pensei em pular, do mesmo ponto onde ele se encontra agora.
O segundo rapaz vai embora, junto com Sunna que se despede lançando seus últimos encantos no horizonte. Não importa. Eu já consegui o que queria. O poste sobre mim garantirá o término da tela, onde já está gravado o rosto daquele rapaz. Será que um dia ele se reconhecerá neste quadro? Será que ficará feliz ao ver eu trabalho? Não acho que terei essa resposta.
Deixo de lado o lápis e torno vivos os pincéis, que pintam sozinhos... me sinto mero instrumento das cores. Ah! Queria que fosse sempre assim. O garoto triste também muda de posição. Que seja. Ele estava bem melhor antes, e é assim que foi eternizado. Sinto os pincéis pararem mas... ainda não terminei o quadro... será que a mágica acabou? Droga! Olho novamente para o rapaz, a fim de tentar retomar minha inpispiração... PUTAQUEOPARIU, OFILADAPUTA VAI PULÁMERMO!! -"Alguém ajuda!! Socorro!!"
Corro desesperadamente para a beira do cais, mas já é tarde. Nótt abriu suas asas, e a escuridão já toma conta. Um pequeno aglomerado de pessoas se forma à minha volta. Todos dizem não ter visto nada. É como se ele jamais tivesse existido. Observo o leito do rio, à procura de algum sinal, mas não há nada. Nenhum bilhete ou nota. Nem mesmo o rio parece ter notado sua presença. De tão calmo as águas parecem estáticas.
Volto para os pincéis. Eles não me respondem mais. Acho que era para ser assim. O quadro ficará inacabado, pela metade, como a vida deste que acaba de partir.
Crônicas de Arximo - 3
O homem corta um pequeno trecho de floresta. Já desceu a montanha. Se é que um dia ela de fato, existiu. Logo ao fim da floresta, uma cabana.
- Dia, companheiro. O que o traz a tão longínquas e solitárias terras? – pergunta o nativo, com jeito de descendente indígena.
- Apenas aprecio uma caminhada. O senhor poderia me oferecer algo para comer? – dispara sem relutância o homem.
- Sim, companheiro. Queira me acompanhar.
E entram na cabana, os dois homens, conversam sobre nada e comem o necessário para as próximas horas.
- Agradeço a hospitalidade. – diz o homem.
- Sinta-se à vontade para voltar – retruca o indígena.
Mas ele nunca volta. Não olha para trás. Apenas prossegue rumo ao farol.
Andando, saca sua flauta de bambu do bolso. Cinco canos, portátil e corta o silêncio como navalha. O homem, com semblante firme, toca sua flauta, pára, ouve o vento na copa das árvores. Sente o nada ficando, como um retardatário. Será que chegaria à uma resposta. Quase 3 meses. Não estava cansado. Por verdade, queria mais, através do nada, via-se ao fundo, o tudo. Sentia o sangue fluir ao longo de seus quase 1,80m de altura.
Em um riacho próximo, se lavou, trocou suas roupas e tirou um cochilo.
Era tarde quando chegou à cidade abandonada. Sentia enfim, o nada novamente. Acostou-se e soltou um grito:
- Alô! – e sentiu o eco ressoar pelos cantos.
Prosseguiu então, em frente. Cruzou 1... 2 km de ruas e alamedas de terra. Barracos de madeira vazios, sons de animais domésticos que não pareciam à vontade com sua presença. Chegara ao pé do farol.
Sentiu um calafrio. Um arrepio percorreu seu corpo. Era momento para uma boa noite de sono. Sabia que talvez... ou não. Sentia algo fugindo de si. Não se importou, era a sensação que mais lhe visitava. Abriu o saco de dormir e fez uso de sua primordial função. Dormiu.
Sonhos, pesadelos se intercalaram. Via uma batalha, gladiadores. Uma armadura vazia e um espadachim metido duelavam por uma rosa branca. Em seguida, viu um campo. Novo duelo, desta vez, duas mulheres, há tempos não via mulheres, mesmo em sonhos. Este duelo representava a vitória uma rosa vermelha. Sua visão mudou novamente. Viu uma cidade, uma família, brasões. Duas famílias. Duas dinastias. Acordou em meio ao fogo. O farol se dissipava em chamas.
Continua...
Hint: referência histórica, as rosas já duelaram, guerrearam.
- Dia, companheiro. O que o traz a tão longínquas e solitárias terras? – pergunta o nativo, com jeito de descendente indígena.
- Apenas aprecio uma caminhada. O senhor poderia me oferecer algo para comer? – dispara sem relutância o homem.
- Sim, companheiro. Queira me acompanhar.
E entram na cabana, os dois homens, conversam sobre nada e comem o necessário para as próximas horas.
- Agradeço a hospitalidade. – diz o homem.
- Sinta-se à vontade para voltar – retruca o indígena.
Mas ele nunca volta. Não olha para trás. Apenas prossegue rumo ao farol.
Andando, saca sua flauta de bambu do bolso. Cinco canos, portátil e corta o silêncio como navalha. O homem, com semblante firme, toca sua flauta, pára, ouve o vento na copa das árvores. Sente o nada ficando, como um retardatário. Será que chegaria à uma resposta. Quase 3 meses. Não estava cansado. Por verdade, queria mais, através do nada, via-se ao fundo, o tudo. Sentia o sangue fluir ao longo de seus quase 1,80m de altura.
Em um riacho próximo, se lavou, trocou suas roupas e tirou um cochilo.
Era tarde quando chegou à cidade abandonada. Sentia enfim, o nada novamente. Acostou-se e soltou um grito:
- Alô! – e sentiu o eco ressoar pelos cantos.
Prosseguiu então, em frente. Cruzou 1... 2 km de ruas e alamedas de terra. Barracos de madeira vazios, sons de animais domésticos que não pareciam à vontade com sua presença. Chegara ao pé do farol.
Sentiu um calafrio. Um arrepio percorreu seu corpo. Era momento para uma boa noite de sono. Sabia que talvez... ou não. Sentia algo fugindo de si. Não se importou, era a sensação que mais lhe visitava. Abriu o saco de dormir e fez uso de sua primordial função. Dormiu.
Sonhos, pesadelos se intercalaram. Via uma batalha, gladiadores. Uma armadura vazia e um espadachim metido duelavam por uma rosa branca. Em seguida, viu um campo. Novo duelo, desta vez, duas mulheres, há tempos não via mulheres, mesmo em sonhos. Este duelo representava a vitória uma rosa vermelha. Sua visão mudou novamente. Viu uma cidade, uma família, brasões. Duas famílias. Duas dinastias. Acordou em meio ao fogo. O farol se dissipava em chamas.
Continua...
Hint: referência histórica, as rosas já duelaram, guerrearam.
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