terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Crônicas de Arximo - 2
Anoitecia, dormia. Carregava na mochila um saco de dormir. Algumas roupas, suprimentos extras, quase não os usava. Dormiu no nada, ao pé da montanha, que, não parecia oferecer perigos. O homem estava enfim, nulo, excluso aos pensamentos de que existiam outros como ele no mundo. Adormecera.
Manhãs, tardes, noites. Humanos continuavam a lhe servir com cordialidade e prontidão. Não precisava então, se preocupar com alimentação. Não amava. Não odiava. Apenas buscava.
Uma semana se passou. Nada acontecera. Monótono, entretanto, livre dos “contemporanistas”. A idéia de “ismos” não lhe agradavam. Até que gostava um pouco do “egoísmo” e de suas ramificações.
Afinal, que montanha era aquela? Não oferecia frio, ou perigo, ou, adrenalina... Era mesmo seu próximo marco.
Só tinha certeza de uma coisa: seu epitáfio. Diria: “O nada lhe precede, o nada lhe prossegue.”. O nada era seu melhor amigo. Era apenas o que ouvia.
E eis que... o homem chega ao topo da montanha. Não olha para trás. Sente que pode estar chegando perto. Não sabia bem o que buscava, só tomava para si que o nada prosseguia, mas, uma hora, o tudo lhe completaria. Era o topo, calmo e sereno. Não tinham mosquitos. Sim, chegou a hora de ela aparecer...
- E agora, qual é o próximo marco, onde me levará? – pergunta o homem, parecendo esboçar um pequeno sorriso.
- Onde você se levou e onde vem se levando há 2 meses e meio. Responde a consciência, retumbante, parecendo pressentir o que o pequeno esboço de alegria queria dizer.
- Ainda acredito em você, não é tarde para voltar atrás... – completa a consciência.
- Não se iluda mais. O atrás não se faz. Se nada tenho deixado, para onde serei levado? – indaga o homem, em tom poético.
- Sentes, pois? Não está abalado, pois sabe que o nada será deixado. É isto em que acredita? – desafia a voz, em tom de deboche.
- Então você sabe. Por fim, não estou aqui em vão... – completa com altivez o nobre homem.
E ao longe, avista um farol. Estranho farol, no meio de uma cidade abandonada. Não ilumina, não há água por perto. Aquele era o próximo marco.
Continua...
Hint: Mosquitos são presságios de morte em algumas mentes insanas.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Só sei que nada sei.
Mantenho um blog paralelo a este, o Vida Mínima, e nele conto minhas experiências na tentativa de levar um estilo de vida mais prático e econômico. Durante meus devaneios em busca de soluções e idéias, estive a pensar sobre a vida, e de uma certa forma, tentei resumí-la. Longe de mim querer realmente atingir este objetivo, pois é coisa muito complicada, que beira o impossível. No entanto, no caminho dessa reflexão, cheguei à conclusão de que as vidas de todas as pessoas - que vivem em sociedades capitalistas - têm algo em comum. Onde quer viva, independente do modo de vida que leve, quatro coisas irão sempre acompanhá-lo por toda sua vida: você (incluindo corpo e mente), pessoas que o rodeiam, dinheiro, e informação, todos com grau bem próximo de participação e importância. Pensando dessa forma, é importante que todos nós saibamos muito bem como lidar com essas quatro coisas. Precisamos nos conhecer, saber do que somos capazes e do que não somos, entender como funciona nosso corpo e mente. Precisamos saber nos relacionar, entender aqueles que nos rodeiam, saber participar da sociedade. Precisamos saber lidar com dinheiro, que não é a coisa mais importante da vida mas, atualmente, não se vive sem dinheiro. Precisamos saber lidar com as informações que nos são dadas, saber aproveitar o que é importante, e descartar o desnecessário.
A primeira disciplina a ser incluída é a Filosofia. A Filosofia é a investigação crítica e racional dos princípios relacionados ao mundo e ao homem. A partir da inclusão dessa matéria teríamos indivíduos com sua capacidade crítica e analítica mais desenvolvida, melhorando sua capacidade de entendimento de si mesmos e do mundo ao seu redor. Teríamos indivíduos mais questionadores e menos apáticos.
Em segundo lugar, mas não menos importante, seria interessante a inclusão da disciplina Sociologia. Sociologia estuda o comportamento humano e os processos que nos interligam em grupos e associações. Sua inclusão é interessante quando visamos formar indivíduos mais conscientes de si e daqueles que o rodeiam, e de qual sua participação e a dos outros na complexa dinâmica de nossa sociedade.
Finalizando, todos deveriam ter aulas também de economia e matemática financeira. Não digo que sejam ministradas aulas diferentes, mas que houvesse uma mesma disciplina que mesclasse os dois ramos do conhecimento. Os processos econômicos influenciam diversos aspectos de nossas vidas, e na maioria das vezes nem sabemos como ou porque, já que não "mexemos" com economia. Entender um pouquinho melhor a dinâmica econômica facilita muito o planejamento econômico do cidadão. Planejamento econômico este que utiliza de determinadas ferramentas da matemática financeira, com a qual a maioria de nós não está familiarizado. Como calcular corretamente os juros de determinada compra a prazo, como comparar preços de pacotes de serviços e produtos oferecidos por bancos e lojas, rendimento de aplicações, como evitar ou diminuir problemas com dívidas, e por fim, entender o que é realmente dinheiro.
De certo aprenderíamos, e acabamos aprendendo, como tudo isso funciona sozinhos, observando. Da mesma forma aprenderíamos que os frutos se desenvolvem a partir de flores fecundadas, e que a multiplicação não passa de uma sequência de somas. Pode ser que eu jamais venha a ficar sabendo onde raios pode ser aplicada uma fórmula de média harmônica, ou nunca mais veja um maldito número complexo, até porque ele tem uma parte que é imaginária(!). Mas mesmo assim essas matérias nos são lecionadas, e coisas tão importantes como as sugeridas acima, que permeiam nossas vidas a cada instante e em todo o lugar, são mantidas distantes das salas de aula. Se não encontrar uma escola com currículo semelhante, farei questão de passar esses conhecimentos a meus futuros filhos de alguma outra forma.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
O beijo de Nuit

Hoje eu vou me matar.
Muitas pessoas afirmam isso diariamente, mas quase nenhuma tem realmente coragem para consumar o fato.
Mas hoje eu vou me matar.
Está decidido.
Não é uma decisão fácil, levei anos para ter certeza que essa é a melhor opção.
Melhor opção.
Parece uma piada sem graça, minha vida nunca teve muita graça mesmo.
Já ouvi falar que a única diferença entre o suicídio e o martírio é a cobertura da mídia, se for assim, serei apenas mais um anônimo, entrarei para as estatísticas e me tornarei um pobre coitado na boca das pessoas, um rapaz que estava no fundo do poço e não suportou as regras desse jogo mesquinho chamado vida.
Dramático não?
É, também acho.
Não acredito em nada disso.
Quero apenas sumir.
Eu, talvez seja o único rapaz dessa cidade que tenha um profundo conhecimento sobre a alma humana, essa solidão me ajudou a chegar nesse ponto.
A ignorância é uma benção que não dei o devido valor.
Mas vamos parar de conversa fiada, e vamos ao que interessa, meu último movimento nesse jogo.
Escolhi o lugar com cuidado, afinal de contas, não vou deixar nenhuma carta explicando o que fiz, ou porque fiz, se quiserem me entender terão que observar os detalhes.
Rios.
Rios são lugares interessantes. Quase sempre poluídos, mas nasceram limpos, puros, inocentes. E vão acabar perdendo a sua identidade cedo ou tarde, em uma grande massa, oceano.
Será em um rio, está decidido.
No caminho para o ponto determinado vejo um artista de rua falando sobre a beleza das teias de aranha presentes na ponte em que estou atravessando. Faltam poucos metros para morrer, vou parar um pouco para ouvir o que ele tem a dizer, a morte pode esperar.
Ele fala das formas geometrias, da mais pura artesã da natureza, do trabalho infindável.
Que coisa chata, deveria ter ido encontrar a morte logo.
Se eu tivesse um pouco mais de disposição teria lhe contado para que serve uma teia de aranha.
Para matar.
Sim, o que julgamos belo é apenas uma arma, com qualquer outra.
A beleza atraindo para a morte, poderia ter feito o meu TCC sobre isso, mas escolhi falar sobre a relação da água e o subconsciente.
Existe um deck no rio, é lá que vou dar meu ultimo mergulho.
Mas já tem uma pessoa lá, o que devo fazer?
Será que não se pode mais ter privacidade nos dias de hoje?
Involuntariamente meus passos cambaleiam.
O honorável estranho me vê e se levanta, devia estar aqui para ver o pôr do sol, o encontro de Rá com Nuit é sempre belo.
Qual será o gosto do beijo de Nuit?
Vou descobrir em breve.
Ao passar por mim o estranho joga uma moeda para trás, e não vê o resultado.
Também não me interesso pelo resultado.
Vou me jogar agora.
Tudo é escuro dentro de um rio.
A realidade como conhecia está se apagando.
Está se apagando.
Se apag...
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Ê caralho...
Achei que seria uma tentativa frustrada, mas primeiro lugar em que procurei foi no dicionário, e lá estava: 1. s.m. pênis; 2. interj. Expressão designativa de admiração, surpresa, espanto, indignação, etc.
Eu: - Caralho! Achei no dicionário!
Mas ai parei para refletir e percebi que isso eu já sabia, aprendi em toda minha vida de molecagem que “caralho” era um pênis que soava com mais intensidade ao falar, e além disso era usado como “expressão designativa de admiração, surpresa, espanto, indignação, etc.”. Por exemplo:
Admiração: Estão você e seu primo na ceia de Natal, quando um tio de ambos trás consigo dois presentes, daí entrega um para cada um. Você vorazmente destrói o papel que envolve o de sua mão e se depara com um maravilhoso pião e dois metros de fieira, daí olha pro lado e vê seu primo com uma Beyblade brilhosa, que gira durante 5 min e faz sons de fera-bit e diz: Caralho! Que maneiro!
Surpresa: Você está chupando seu picolé na rua, e quando acaba fica com a embalagem, o palito e a mão melada, então sai procurando um lixo pela cidade (se você for educado, claro) e quando acha abre a tampa e quando vai arremessar o papelzinho um macaco sai do lixo e você toma um puta susto: Caralho! Um macaco!
Espanto: Você está num hospital, sua irmã mais velha está entrando em trabalho de parto. Depois você se encaminha ao berçário e vê seu sobrinho pelo vidro e repara que ele tem um cabeção. Mais tarde ao visitar sua irmã no quarto pergunta se fizeram um corte muito grande na cesariana, e ela te responde que foi parto normal: Caralho!... (sem mais)...
Indignação: Você chega em casa cansadão do trabalho, liga a TV e está passando jornal nacional, sim, na globo, e vê que o governador de Brasília está de sacanagem, falando que sai e que não sai, que desiste e que não desiste de meia em meia hora e que está sendo investigado de participar do mensalão do DEM e você fala: Caralho! Tem que matar esses políticos corruptos!
E mais...
Expressão que designa grande quantidade: Estava você rodando com seu amigo num carro por uma cidade pacata do interior, de madrugada e percebem que não há nada mesmo para se fazer e resolvem voltar pra casa, no caminho passam em frente ao Banerj e seu amigo fala: Poow! Ali tem traveco pra caralho!
Expressão de raiva: Você é torcedor do Botafogo (calma, calma, é só uma suposição...) e lembra do sacode que seu time tomou na primeira fase do Vasco. Ai chama seus amigos para ver a final da Taça Guanabara na sua casa falando que o Botafogo vai dá o troco, mas o Vasco ganha de 3x1 e você fala: De novo? Mas que caralho!
Deixando os exemplos de lado, pesquisei ainda a origem da palavra, e com pouquíssima dificuldade achei que caralho é o nome daquelas cestinhas que ficam no alto do mastro de um navio, e quando um marujo fazia idiotice no meio da viagem era mandado para lá pelo capitão como castigo, e como lá balança muito, o marujo ficava enjoado pra caralho (hehehehe) e daí surgiu o “vá para o caralho!” com todo seu sotaque lusitano...
Crônicas de Arximo - 1
- Está ok, só espero que não hajam futuras compensações por isso. - replica o homem.
E saindo do estreito bar, o homem encontra a paz exterior, o aroma de eucaliptos molhados ao som de pássaros entoando agudos sem pudor. Encontrou. Pena que a paz interior, ele deixou em algum lugar ao sul, em rumo ao oceano. Necessitava do sal, não do açúcar.
E com o ar de quem não tem nada na carteira, exceto fotos perdidas em recordações nostálgicas, mas não arrependidas, dirige-se ao nada, com passos silenciosos por entre os maratonistas e ciclistas daquele lugar. Era uma ciclovia afinal.
- Onde isto me levará? - pergunta a si mesmo, o homem.
- Onde você se levou e onde vem se levando há 2 meses. - responde sua consciência, a plenos pulmões e acrescentando: - Ainda acredito em você, não é tarde para voltar atrás...
- Não acredito que queira voltar à monotonia, não quero olhar para trás... apenas desejo um copo de vodka e uma pitada de adrenalina - retruca o homem para si, enérgico.
E sai, correndo, em direção ao horizonte. Uma montanha o espera ao fundo. Ele almeja o seu topo e, após isso, voltar a ouvir sua consciência sobre o próximo passo.
Fazem dois meses que saiu de casa. Cansou de sua mãe lhe dizendo o que fazer. Tinha seus 20 e tantos anos de idade. Largou a faculdade. Largou o carro. Largou o que chamava de "sociedade contemporanista". Só queria chegar ao próximo marco e, de lá, marcar o próximo.
Continua.
Hint: É divertido brincar com a fonética da letra "x" nas palavras.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Amizade
- É a vida cara, é a vida.... aqui, estou com um problema no PC lá
- Claro, minha irmã está usando, é só falar com ela.
- Valeu!
Este que caminha apressadamente na direção do quarto é meu velho amigo. Vem aqui em casa desde os primeiros anos da escola.
Ele conversou comigo por cerca de meia hora. Falou sem parar, entretanto não disse absolutamente nada. Suas palavras eram apenas um modo de espreitar o momento certo. A oportunidade exata para se esgueirar de minha presença. Agora ele já deve estar no quarto, posso ver a porta entreaberta, ele nunca a fecha, chamaria a atenção. Já no quarto meu amigo e minha irmã, dois anos mais velha que ele, começariam a trocar olhares enquanto conversam sobre algum tema real. Uma encenação recheada de alusões, desejos e breves toques. Escondem-se como se eu não soubesse. Escondem-se como se fosse errado. Não. Escondem-se para que seja errado. Onde estaria o prazer do ato mais promíscuo se este fosse plenamente aceito, se não ouvíssemos nosso demônio particular berrar ao pé do ouvido: Pecado Mortal!
Por isso ele só vem quando eu estou em casa, para precisar se esgueirar pelos cantos, olhando-a de longe, tocando-a de leve, deixando escapar sussurros por entre as conversas exageradamente altas. Não sei com que freqüência se beijam, ou se fazem algo mais. Só sei que não concretizam seus atos. Não há um fim, um ápice. Pois, sempre se afastam com a mesma ânsia com que se aproximaram. Ânsia por mais prazer, mesmo já arrastando seus prazeres em um gozo prolongado, metódico, às vezes diário, a cada toque, a cada olhar lançado em frente a outros, a cada situação de perigo.
Estranho animal o ser humano, que flerta abertamente com o perigo. Sente prazer no medo. Isso porque o medo é capaz de tornar grandes coisas ínfimas. Desde a sombra próxima a janela que assusta a criança, até o toque indecoroso nos seios, efetuado enquanto o pai da garota se distrai, que faz acelerar o coração do adolescente, ou dos adolescentes. Sem o medo, sem a insegurança, tais situações seriam rotina, ou seja, seriam menos que nada.
Por isso não faço nada, além de comer esse naco de carne enquanto ouço um arfar descompassado. Não faço nada porque gostaria de ter esse tipo de prazer. Como não tenho, permito que eles tenham, compactuo pra isso. Mesmo que para isso eu considere minha irmã uma puta, e meu amigo um estúpido violador.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Brancos Lençóis

Levantei-me às 7:00 a.m. e fui preparar o café.
Ligo a cafeteira,coloco os pães de fôrma na torradeira...aproveito e faço um carinho em Lucky,é amigo só você tem sorte.
Vou até a porta da frente, caminho em direção ao portão de entrada e recolho o jornal.
Leio a notícia da primeira página que diz: "O sofrimento acabou."
Olho para a porta da minha casa, vejo a bandeira tremular sempre firme e forte como este país.
Tomo meu café a sós saboreando minha nostalgia, digerindo a minha tristeza e suportando a minha solidão.
Fecho os olhos por um momento...ouço os passos vindo lentamente em minha direção.
Um buquê maravilhoso de rosas vermelhas, por detrás um sorriso brilhante acompanhado do olhar sincero e um pedido...quer casar comigo?
O telefone toca, vou atendê-lo com a mesma vontade e rapidez que uma rosa tem ao se desabrochar.
"Não, não há ninguém aqui com esse nome..."
Engano...minha vida atualmente é um grande engano.
Hoje é dia de lavar as roupas de cama. Arranco todos os lençóis e ponho na máquina de lavar.
Hora de estender; levo a bacia para o jardim e começo a pegar um a um e estendo-os ao longo do varal.
O dia está lindo, o céu está bem azul e o sol impõe toda a sua energia e luminosidade.
Os lençóis brancos brilham, dançam com o vento e espalham pelo ar o cheiro de roupa limpa.
Sento na grama e observo.
Será que você irá voltar?Já faz tanto tempo que saiu de casa, disse que seria por uma causa nobre...Realmente, honrar seu próprio país é um mérito.
Mas e nosso amor? Onde entra a honestidade e o valor do nosso sentimento?
O carteiro chega apressado com um envelope timbrado nas mãos e me entrega.
Rasgo a correspondência e começo a tentar discernir tudo aquilo que está escrito...
Agora os lençóis estão mais brancos.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Carnaval... Carne Vale... Bacchanalia....
Carnaval: O carnaval é uma das mais tradicionais festas da humanidade, seu nome vem do latim, "carne vale", expressão que pode ser traduzida por "Adeus à carne". Pois o Carnaval é a data comemorativa instituída para marcar o ínicio da Quaresma, tempo de penitência e jejum de carnes na cultura cristã.
Bem, essa é a versão "puritana" do carnaval.
Na verdade, nosso carnaval é bem mais antigo que a cultura católica. Instituído oficialmente por esta no século XI possui registros bem anteriores. Sua própria "instituição" foi uma tentativa de agregar as festividades pagãs do equinócio primaveril do hemisfério norte à cultura cristã. Afinal pegava mal pra caramba os romanos, o centro da cristandade, realizarem a Bacchanalia e a Saturnalia. Que para os desavisados eram eventos (leia-se: orgias, bebedeiras, atos libidinosos de deixar o mais liberal de nossos carnavais no chinelo) realizados em homenagem respectivamente a Baco e Saturno. Os quais não passavam das divindades Dionísio, o deus dos vinhos e festas, e Cronos, o pai dos deuses (o qual comia seus filhos assim que nasciam, os rituais que eram realizados nesses eventos, deixo a cargo de vossa imaginação), da antiga cultura grega.
Só nesse breve resumo já chegamos no século VIII a. C..
Entretanto este não é o fim, a mais antiga manifestação festiva que podemos relacionar ao carnaval é a Festa de osíris, evento que marca o recuo das águas do Nilo, isso no Egito antigo, após a unificação dos baixo e alto impérios, por volta de 3100 a. C..
Bem, este foi um pequeno resumo cultural sobre as origens do carnaval. Hoje você, caro leitor, descobriu, ou confirmou, que o carnaval é uma festa muito antiga, a qual vem sofrendo leves repressões e se tornando menos insana. Cabe a nós mudar isso. A equipe do Blog deseja a todos os leitores e colaboradores um Carnaval épico, insano e inesquecível. Esperamos que se esforçem para tanto.
Lembramos que o Blog mente INSANA em corpo são é totalmente contra o uso de drogas, vandalismos, e agressões verbais ou físicas ... a menos que você seja masoquista, aí é outra história.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Sentado no meu quarto, o tempo voa...
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Paz

- Papai, veja, aquela nuvem se parece com um cachorro, e aquela outra com um sorvete, e...Ei, o Dudu chegou, posso ir lá brincar com ele?
- Claro que pode, para isso viemos ao parquinho, certo?
Ele sai correndo, por entre os brinquedos e as outras crianças. Ainda bem que é ainda muito jovem para perceber a preocupação na face deste velho pai.
Olho em torno, para além dos infantes aventureiros que voam, lutam, escalam, se transformam em um piscar de olhos, a seu bel-prazer. Olho e vejo. Vejo uma rua triste, com pessoas que passam sem perceber nada em volta. Apenas passam. Rua esta que faz parte de um ninho de almas opacas que chamam de cidade. Cidade esta integrante de uma nação rica, coalhada de habitantes pobres. Nação que é peça de um quebra-cabeças, que hoje forma um mundo morto, assassinado por quem nele mora.
Essa visão me entristece, que tipo de vida posso deixar pro meu garoto? Isso me incomoda. Fecho os olhos.
Agora ouço. Ouço a sirene de uma ambulância, não muito distante. Pode ser que dentro dela um garoto trave a luta pela sobrevivencia. Assim como fora dela uma mãe batalhe contra o medo e o desespero. Pode ser que este garoto seja um criminoso, pode ser que seja vitima de um crime.
Às vezes acho que a vida é muito dura. Não percebo nada de positivo, me sinto cercado de coisas ruins e...
- Pai! Olha só! Eu consigo equilibrar sozinho!!
Ele sorri enquanto fala, e ao olhar para aquele sorriso também sorrio enquanto tudo em minha mente se dissipa, resta apenas uma sensação na qual mergulho profundamente, uma sensação maravilhosa...
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Caçadores de cabeças
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Devaneios
Estou sentado na beira do cais. Fim de tarde. Na avenida que margeia o imponente rio o crepúsculo constitui um espetáculo para os olhos, enquanto a brisa suave, como uma dádiva de Zéfiro, me envolve docemente. Alheio a estes fenômenos um individuo de passos ébrios e olhar soturno caminha na minha direção.
Seu caminhar descompassado e seu olhar perdido demonstram que sua mente está distante de seu corpo. Perdido em seus devaneios o ilustre transeunte olha a paisagem, vendo mais do que realmente há.
Os últimos raios de sol batendo em seu rosto fazem-no enxergar a si próprio com seus dezoito anos, durante a última discussão com seu pai, olhando através de uma vidraça para o pôr-do-sol, sem coragem de fitar-lhe o rosto. Um misto de dor e resignação.
O frescor do vento na pele o remete a imagens fúnebres, uma tarde escura no cemitério, com a mesma brisa, quando enterrou aquela que considerava a mulher de sua vida. Um desespero nauseante aflige sua mente.
Estando mais próximo agora, percebo a melancolia descompassada de sua face. Como em um filme vejo-o caminhar diante de mim e posso ver seus mais íntimos sentimentos.
Ele chega até o cais e encosta na amurada. Hélios descansa no horizonte permitindo o inicio do domínio das trevas sobre o firmamento. Tudo que aqueles olhos pediam era que as coisas entrassem
Estou a poucos metros dele, ainda na beira do cais. Emana de sua transpiração um tímido desejo de morte. Ele me encara de relance com um olhar dúbio, parte dele quer ajuda, outra parte quer paz. Quer ordem. O indivíduo olha fixamente para a água. Sei que ficando aqui minha presença o impede de agir. Logo, certamente ele viverá. Mas, não gosto de certezas, prefiro o inebriante sabor da dúvida. Por isso levanto-me e lanço a sorte atirando uma moeda ao rio antes de me retirar, por via das dúvidas que deixe paga a barca de Caronte.
Caminho envolto pela extasiante névoa noturna. Já distante olho para trás, ele não está mais no cais. Fico com minha doce e inquietante dúvida sobre o destino daquele homem, o qual olhou para a ordem de sua vida de dentro de seus devaneios, até que a ordem tornou-se o limiar do caos, fazendo-o crer que tudo tornara-se nada, e que nada era mais do que o suficiente...
Café com pão, café com pão, café com pão...

Não lembro quantas vezes isso me aconteceu: chegava na hora do recreio (ou intervalo, para os mais maduros) no colégio ou no cursinho e meu amiguinho ou amiguinha estava morto de fome, dizendo que comeria um boi ou outros animais de grande porte. A pergunta sempre era a mesma: “Você não tomou café de manhã?” e a resposta era sempre a mesma: “Não”!!!
Meu Deus!! Como alguém não toma café da manhã?? Apesar de termos acabado de acordar, supostamente recarregado nossas energias, precisamos de mais energia para sobrevivermos até a próxima refeição (no mínimo) e tem gente que diz que não toma café da manhã!
Às vezes penso que quem não toma café de manhã não tem mãe. Explico. Uma das frases mais tradicionais e populares de mãe é “Não saia de casa sem comer alguma coisa” ou “o café é a refeição mais importante”. Se foram as nossas mães que disseram por que vamos desobedecer? Mas tem gente que faz questão... Deve ser um meio de rebeldia, sei lá - “Mãe, você não deixou eu ir ao show do Metallica, não vou tomar café também!” – vai entender...
Em busca de uma silhuetinha bonitinha, magrinha e fininha, tem gente que diz que não come porque quer emagrecer... pobres coitadas (ou coitados, nunca é bom generalizar –paradoxal), nem para ler revistas científicas tem tempo (ou pode ser uma Boa Forma da vida, certeza que deve ter uma matéria a respeito). O assunto é pesquisado por universidades faz um tempo já, e sempre comprovam que comer ao acordar é tão importante quanto lavar atrás das orelhas no banho (não me diga que sua mãe nunca te disse isso também... Ou você não acha isso importante?), porque quem não toma café acaba comendo mais no almoço, sujeito a comidas mais gordurosas e calóricas.
Ao acordar, o organismo apresenta hipoglicemia moderada, de cerca de 70 mg/dl, quando o normal é 100 mg/dl, o que não gera nenhum sintoma. "No entanto, se os níveis de glicose caem para menos de 55 mg/dl, com o jejum muito prolongado, os sintomas podem surgir, como tremores, pessimismo e mal-estar, pois o organismo lança mão dos mecanismos de defesa hormonal para tentar aumentar as taxas de açúcar no sangue", explica a neurologista Maria José Silva Fernandes, professora do departamento de neurologia e neurocirurgia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
(Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/comida/ult10005u392020.shtml )
“Mas e se eu acordar 12:30??”
Ai o problema é seu.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Carta de um Sonhador para os Insones
Venhos vos avisar antes que seja tarde demais...
Nunca fui mt bom com as palavras. Não passo de um simples aprendiz que mal sabe usar sua lingua maternal, mas na Arte de Sonhar sempre fui bom. Grão-Mestre.
Quando era apenas uma crinça, minhas viagens até o domínio de Morpheus se restringiam a algumas horas na parte da noite, mas com o tempo aprendi que não precisava estar dormindo para sonhar.
Mas o que isso importa para vocês? Quando se passa muito tempo na condição em que vocês se encontram, nada parece muito real. Tudo ganha um aspecto distante e não se consegue mais ter certeza do que realmente é real e importante...
Por ficarem muito tempo acordados em suas vidas mesquinhas vocês deixaram de prestar atenção ao que existe ao redor, e principalmente ao que ainda não existe.
Por outro lado, nós, os Sonhadores, por termos dormido para essa realidade tosca e sonhado estamos atentos a cada pequeno movimento que a vida faz. Acompanhamos com a dedicação de um apaixanado observa seu grande amor, a bela coreografia do cosmo e assim podemos prever, e muitas vezes criar os próximos passas desta dança.
Por isso a razão do aviso,
Não atrapalhem-nos em quanto estivermos sonhando!
Porque se um dia vocês tentarem destruir os poucos sonhadores que ainda restam a vigança do invisivel será muito pior do que vocês podem imaginar...
Não lhes será arrancada a vida ou algum bem tangivel...
Mas vocês teram transformado a sua realidade algo muito pior...
... Em um Eterno Pesadelo...